domingo, 15 de junho de 2008

Alanis Morissette só pensa em se divertir ...



Com primeiro disco em quatro anos e de olho nos novos tempos, Alanis Morissette só pensa em se divertir
Em 1995, uma cantora canadense de 21 anos quebrou o monopólio masculino do chamado “rock alternativo comercial”. Seu primeiro sucesso, “You Ougtha Know”, unia um misto de ressentimento e agressividade contra um ex-namorado, embalado por um refrão pop grudento. Ali, Alanis Morissette colhia os primeiros frutos de uma carreira que já vendeu mais de 55 milhões de discos – ela é até hoje a artista feminina de rock que mais vendeu discos na história –, venceu sete vezes o Grammy e emplacou hits como “Ironic”, “You Learn” e “Thank You” no topo das paradas mundiais.
Alanis também gosta de atuar, e faz incursões pelas telas sempre que convidada. Até o ano passado, sua aparição mais famosa havia sido fazendo o papel de Deus em Dogma (1999), do diretor independente Kevin Smith. Em 2007, porém, ela voltou a chamar a atenção para seus dotes interpretativos com uma paródia de “My Humps”, do Black Eyed Peas. O vídeo foi um dos maiores sucessos do YouTube no ano passado, com mais de 12 milhões de acessos. E 2008 promete: Alanis acabou de gravar seu primeiro papel principal, na adaptação para o cinema de Radio Free Albemuth, do mestre da ficção científica Phillip K. Dick.
Depois de quatro anos sem lançar um disco, ela volta à cena com Flavors of Entanglement, produzido por Guy Sigsworth, que já trabalhou com Björk, Madonna e Robyn. Com exceção de algumas faixas, o disco representa uma reviravolta sonora na carreira da artista de 34 anos. Em “Versions of Violence”, um baixo eletrônico pesado e distorcido e uma gama de efeitos eletrônicos criam um clima denso, apocalíptico, numa fusão entre trip-hop e rock industrial. “Giggling Again for No Reason” traz sintetizadores que ora remetem a Pet Shop Boys, ora a Missy Elliott. Em Los Angeles, uma Alanis relaxada discorreu sobre o novo projeto, o sucesso do passado e o agora ultrapassado messianismo de sua música.
Suas músicas novas transitam por um universo habitado por Björk, Muse, Blonde Redhead e até a fase inicial do Placebo. É uma diferença enorme, especialmente se compararmos às músicas de Jagged Little Pill (primeiro disco de Alanis, de 1995).
Qual a diferença entre a garota de “Ironic” e a mulher de “Versions of Violence”?
Como é envelhecer?
No fundo é isso mesmo, né? Ficar velha. Me sinto como se, na época do Jagged Little Pill, eu tivesse 8 anos, emocionalmente falando. Agora, devo estar com uns 13 [risos]. Então, tenho essa sensação de estar ficando velha, lentamente. Mas é engraçado, essas coisas são meio cíclicas, graças a Deus. Trabalhar com Guy Sigsworth trouxe de volta um pouco do aspecto tecnológico dos discos que eu gravava quando era adolescente. Então, se por um lado o disco traz um amadurecimento, também significa uma volta às minhas raízes, de certa forma. É um ambiente bem familiar para mim.
Você trabalhou muitos anos com Glen Ballard, que produziu Jagged Little Pill e Supposed Former Infatuation Junkie (1998), seus discos de maior sucesso. Depois, você produziu os discos posteriores em parceria ou sozinha. Agora, você voltou a entregar a produção do disco inteiramente a um produtor. Como foi trabalhar com Guy Sigsworth?
É muito diferente de trabalhar com Glen Ballard?Há uma semelhança na facilidade de comunicação. Com Guy é diferente, ele é o típico cientista maluco, maníaco por tecnologia, muito meticuloso, um sábio mesmo. Foi maravilhoso [trabalhar com ele], e eu não tive que fazer nada em termos de produção, pude me preocupar só em me divertir.
Passou o trabalho sujo para alguém, então?
Exatamente. Ele ficou lá, tendo que acordar às 4 da manhã, enquanto eu dormia. Ou tomava umas [risos].

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