quarta-feira, 28 de maio de 2008

Maná: "público brasileiro é um dos melhores do mundo"


A banda mexicana Maná desembarca no Brasil em junho para três shows (dias 04 e 05 de junho em São Paulo, e dia 06 de junho no Rio de Janeiro). O grupo latino-americano de maior sucesso no mundo nos últimos anos passa pelo País pela terceira vez, trazendo sua imensa turnê Amar es Combatir. Em entrevista ao Terra, o baterista Alex González se diz ansioso para chegar ao Brasil que, segundo ele, tem um dos melhores públicos do mundo.
Vocês vem visitar o País pela terceira vez. O que público brasileiro tem de diferente do resto do mundo?
Estamos muito empolgados em tocar novamente no Brasil. A última vez que estivemos aí foi durante a turnê Revolución de Amor e a recepção foi ótima. Tivemos a oportunidade de viajar pelo mundo e eu considero o público brasileiro um dos cincos melhores do mundo.
Por quê?
É uma platéia muito entusiasmada e explosiva. E, além de tudo, é um país onde há uma cultura musical sólida, onde as pessoas têm uma tremenda habilidade para ouvir e fazer música. O Brasil sabe absorver bem a música que vem de todos lugares do mundo: seja jazz, seja a própria bossa nova, pop, rock... As pessoas aí amam música.
Como é ser uma banda mexicana que canta em espanhol e que ainda consegue fazer sucesso em países que não falam a língua?
Isso é muito interessante. Nosso público nos EUA, por exemplo, era em sua maioria composto por gente de origem latino-americana. Mas agora, quando voltamos lá com essa nova turnê, vimos que um monte de norte-americanos que falam inglês apareceram em nossos shows. Isso é muito positivo, mostra que a língua não é um problema, o que importa é a energia da música, a melodia, a batida. E quando essas pessoas vão buscar sobre o que nossas letras falam, elas ficam ainda mais interessadas: percebem que falamos sobre questões sociais e ambientais e que não somos só uma banda de pop rock.
Amar es Combatir é a maior turnê da carreira do Maná e agora está chegando ao fim. Como está sendo a recepção?
Começamos a tour em fevereiro de 2007 e mais de 2,4 milhões de pessoas já nos assistiram. Batemos todos os recordes de públicos nos EUA. Em Nova York, tivemos três noites de ingressos esgotados no Madison Square Garden. Vendemos todos os nossos ingressos em quatro noites em Los Angeles. Na Espanha, nos conseguimos atrair mais gente para os nossos shows que os Rolling Stones.
Essa turnê atual carrega uma imensa parafernália tecnológica: luzes robóticas, plataformas hidráulicas gigantescas e todo tipo de recurso de palco. Vocês trarão tudo para os shows no Brasil?
Estamos tentando levar o máximo que conseguirmos. Mas o negócio é que no Brasil Maná não é tão conhecido como em outros lugares do mundo. Então temos que tocar em casas menores e todo esse equipamento é para shows em grandes arenas. Eu gostaria de levar todo o aparato de produção de Amar es Combatir, por isso que é importante ir ao Brasil e convencer as pessoas com nossa vibração e paixão e um dia, talvez, ficaremos tão grandes aí como em outros países. Nosso sonho ainda é um dia conseguir tocar no Maracanã.
Como será o repertório desses shows no Brasil?
Principalmente composto por canções do disco Amar es Combatir?Não, vamos tocar algumas músicas de Amar es Combatir, mas também muitos hits dos nossos discos anteriores. Vai ser um repertório muito bem equilibrado de duas horas de duração ou mais, dependendo da empolgação da platéia.
A turnê começou em fevereiro do ano passado, são mais de 100 shows até então, o que deve ser bem cansativo. Como vocês lidam com o fato de ficar na estrada por tanto tempo?
Nós temos um regra na banda: se ficamos na estrada por um mês, voltamos para casa e descansamos por 10 ou 15 dias. E então voltamos para a turnê. É um jeito de não ficarmos longe de casa por muito tempo. Nós estamos juntos por mais de vinte anos, começamos muito novos, e aprendemos que para manter a banda temos que nos divertir com ela. Um monte de bandas se desfazem porque é só trabalho e deixam de gostar de tocar.
Artistas têm vendidos cada vez menos discos, mas o Maná mantém seu alto índice de vendas. Você consegue explicar isso?
Somos uma banda que já está na ativa há um bom tempo e as pessoas têm a noção de quando nós lançamos um disco, ele não vai ser um álbum com uma ou duas músicas boas, mas, sim, um disco cheio de músicas boas. Nós também misturamos muito nossa música com diversos estilos, então a coisa nunca fica chata, sempre vai ter algo novo.
Como você vê a decadência da indústria fonográfica causada principalmente pelo compartilhamento de música pela internet?
Existem alguns problemas nessa situação da indústria fonográfica. Um deles são os preços altos dos CDs e nós sabemos que eles não são tão caros. Outro é que a América Latina tem os maiores índices de pirataria do mundo. México é o terceiro país que mais vende CDs piratas no mundo. E a verdade é que a gravadoras costumam desperdiçar um monte de dinheiro e agora elas não têm essa grana para investir em novos artistas. E fazer música custa dinheiro, ficar meses dentro de um estúdio tentando tirar o melhor som custa caro. Outra coisa é que a pessoas perdem qualidade da música em arquivos de áudio compartilhados, porque como são comprimidos demais, as nuances das músicas são perdidas. Eu realmente acho que o download gratuito de músicas e pirataria estão matando a indústria da música. Mas, enfim, não acho que os CDs vão desaparecer.

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