terça-feira, 8 de abril de 2008

Som anêmico derruba CD da irmã de Marisa Monte

O segundo disco do duo Irreversíveis - formado por Carol Monte (irmã de Marisa, que toca teclados) e Leo Benitez (voz, guitarras e baixo) - é sintomático de uma moléstia muito comum ao pop safra anos 2000: a síndrome do excesso de informação.

Apresentados pela gravadora como um grupo que mistura "rock com eletrônica", os Irreversíveis se assemelham a grupos gringos que seguem caminhos parecidos, como o Postal Service.
No álbum homônimo que a dupla solta pelo selo Som Livre Apresenta, depreendem-se idéias e conceitos que remetem a influências variadas e modernas. O que não chega a ser suficiente para construir um trabalho sólido, uma vez que ao duo falta a inspiração para saber o que fazer com tanta variedade.
Nesse contexto, a segunda faixa do álbum, Os dois irreversíveis, simboliza essa estética tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Baseada numa levada acústica - meio indie, meio folk, meio country - a canção embrulha violões, metais, barulhinhos eletrônicos e vocais com efeitos, tudo de uma vez. A letra, até interessante ("Você precisa de um avatar pra gente ficar no Second Life"), se enfraquece, cantada sobre uma melodia pouco memorável.
A dupla insiste em alinhar rimas bacanas a harmonias e melodias banais. Desde o rock de Quero ser feliz à MPB meio cansada de Pra ficar com você, passando por Musa clássica (mais uma com pique country-folk), tudo soa decepcionante, com a diversidade estilística tentando compensar o conteúdo duvidoso.
Mais frustrante ainda é a sonoridade anêmica do disco, que usa a estética lo-fi (aliás, título de uma das músicas) para disfarçar uma produção pobre. Os ritmos programados e os efeitos parecem saídos de um Casiotone. A baixa fidelidade chega a agredir. O resultado chama a atenção o fato de Carol Monte ser apresentada, no release do CD, como "única brasileira com formação e certificação pela Digi Design, do software de Pro Tools"
Duas exceções salvam o conjunto: a melodia redondinha de Tudo o que eu queria e a versão para Wave (Tom Jobim), que vem num faceiro arranjo dançante, com guitarras em staccato a la Strokes convivendo com acordes dissonantes.
JB Online

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